A elegância da alma.
- Ismênio Bezerra
- 24 de mai. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 16 de jan.
Neste artigo, exploraremos a elegância da alma como um estado de ser, destacando suas características intrínsecas e sua importância em um mundo cada vez mais individualista e personalista.

Vivemos um tempo estranho, em que a gentileza, antes gesto simples e natural, vem sendo trocada por atitudes deselegantes e, muitas vezes, desumanas. Interrompemos conversas, levantamos a voz, ridicularizamos quem pensa diferente e chamamos grosseria de autenticidade. Já não ouvimos – fingimos atenção enquanto ignoramos ideias, sentimentos e dores que não são nossas.
No cotidiano, multiplicam-se pequenos atos de desrespeito: a pressa que atropela filas, o silêncio que nega um bom dia, o descuido que deixa a sujeira para o outro limpar. Confundimos hierarquia com licença para humilhar e esquecemos que pedir desculpa e agradecer não diminui ninguém.
Nas relações, falta cuidado. Gente que promete e desaparece, que usa e descarta, que fere e não percebe. Cada um corre preso ao próprio umbigo, acreditando que o mundo existe ao seu redor. Na vida digital, a violência ganha disfarces: ironias, cancelamentos impulsivos, ofensas mascaradas de opinião, boatos que viajam mais rápido do que a verdade.
No fundo, a arrogância cresce onde a empatia encolhe. E quando deixamos de olhar o outro como pessoa – com voz, história e dignidade – abrimos espaço para a pior versão de nós mesmos.
No mundo frenético em que vivemos, é comum associarmos a elegância a roupas sofisticadas, acessórios de luxo e aparência impecável. No entanto, a verdadeira elegância transcende as vestimentas e se manifesta por meio das atitudes e comportamentos que refletem a essência de uma pessoa. A elegância da alma é a expressão de valores e virtudes que vão além das aparências superficiais.

A verdadeira elegância não mora no saldo da conta bancária ou na posição que ocupamos no mundo do trabalho, do esporte, da cultura, da política ou da religião. Ela está enraizada em nossas atitudes e se revela no conteúdo que carregamos no coração e na mente.
A elegância da alma é a antítese do mundo que cultua a aparência, o status e a ostentação. Enquanto muitos correm atrás de títulos, marcas, poder e reconhecimento, a alma elegante prefere a leveza do essencial: gentileza, generosidade, correção moral, honestidade intelectual, solidariedade, ternura, ética, moderação, respeito e empatia.
Essas virtudes silenciosas transformam a convivência humana e operam onde o luxo não alcança. A elegância da alma não precisa se exibir. Ela não faz barulho, não mendiga aplauso e não nasce da necessidade de ser vista. Surge de um profundo senso de integridade, de autenticidade e de coerência entre o que se diz e o que se faz. Ela não se curva ao impulso grosseiro, ao sarcasmo destrutivo, à arrogância vazia ou ao jogo de aparências. Onde há pretensão, ela oferece humildade. Onde há vaidade, ela oferece sensatez. Onde há egocentrismo, ela semeia humanidade.
Em um mundo tomado por individualismo, personalismo e superficialidade, a elegância da alma é quase um ato de resistência. Ela é luz em meio a sombras sociais cada vez mais densas. Ela é o lembrete de que pessoas valem mais que objetos, afetos mais que narrativas, caráter mais que vitrine.
A alma elegante reconhece o valor intrínseco de cada ser humano — independentemente de sua origem, aparência, condição econômica ou circunstância. Ela enxerga gente onde outros veem categorias. Age com dignidade onde muitos responderiam com desprezo. Estende a mão onde outros virariam o rosto.
Quando cultivamos essa elegância interior, criamos laços autênticos, nutrimos relações verdadeiras e colaboramos para uma sociedade mais justa, inclusiva e acolhedora — uma sociedade em que a gentileza não é exceção, mas hábito.
No fim, a elegância da alma não se compra, não se herda e não se ostenta. Ela se constrói, gesto a gesto, escolha a escolha, dia após dia. É ela que nos permite viver com afeto, inspirar pelo exemplo e deixar um legado que dura mais do que qualquer marca ou moda: um legado de humanidade, bondade e respeito.
A gentileza não é frescura, fraqueza ou perda de tempo. É o tijolo mais simples e ao mesmo tempo essencial na construção do mundo que ainda dizemos querer. Quando ela falta, tudo racha.

Pequenos gestos, grandes afetos!
Seja gentil. Ofereça o lugar, ofereça o braço, ceda o espaço, envolva-se no abraço.
Pare um instante para perceber o outro. Num mundo que corre rápido demais, em que cada um se protege atrás de telas, agendas e indignações, a gentileza se torna um ato quase revolucionário.
Dê passagem.
Escute sem interromper.
Cumprimente sem pressa.
Olhe nos olhos.
Esses gestos simples, quase invisíveis, têm o poder de costurar o tecido esgarçado de uma sociedade que aprendeu a competir antes de acolher.
Deixe de lado o discurso fácil dos inconformados — aqueles que gritam mudança, mas não movem um centímetro em direção a ela. A gentileza não nasce dos discursos, nasce das escolhas diárias: do respeito com quem pensa diferente, da mão estendida para quem tropeça, do silêncio que acolhe em vez de ferir.
Num mundo tão individualista, tão rápido no julgamento e tão lento no cuidado, a gentileza é resistência. É devolver humanidade ao cotidiano. É lembrar que ninguém caminha sozinho, e que uma vida que toca a vida do outro vale infinitamente mais.
Seja a mudança que tanto espera ver. Plante o gesto, mesmo que pareça pequeno.Semeie o bem, mesmo que ninguém perceba. Porque toda gentileza, quando encontra o coração certo, multiplica-se e volta — mais forte, mais bonita, mais necessária.
Gentileza não é fraqueza.
É coragem.
É escolha.
É o modo mais simples — e mais poderoso — de transformar o mundo, uma pessoa de cada vez.
Ismênio Bezerra
A elegância da alma reside na capacidade de enxergar além das aparências e tratar todas as pessoas com bondade, respeito e compaixão.
A verdadeira elegância está na maneira como nutrimos nossos valores internos, agindo com ética, empatia e generosidade, deixando uma marca positiva por onde passamos.
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Acredito nesta elegância e busco praticar todos os dias. Nem sempre somos tão generosos, mas a persistência pode nos aproximar do que queremos ser.
Ismênio querido, parabéns pelo belo texto e que chegou em tão boa hora pq muito do que vc diz eu estava formulando para ajudar uma pessoa que tem essa alma elegante mas não sabe disso. Vou usar o seu texto. Obrigada pela sincronicidade amorosa.
Beijo