Práticas e discursos involutivos da machosfera.
- Ismênio Bezerra
- 6 de mar. de 2023
- 6 min de leitura
Uma análise sobre a doença social que insiste na misoginia como princípio.
O texto a seguir coloca uma lupa sobre o assunto, esclarecendo conceitos e fazendo um diagnóstico sobre esse tema que mais uma vez ganha notoriedade.
Recentemente, a atriz, humorista e roteirista Lívia La Gatto denunciou publicamente o coach e influenciador Thiago Schutz por ter feito ameaças contra ela em suas redes sociais. Schutz é conhecido por dar cursos online sobre masculinidade e autoafirmação masculina, e tem uma grande presença na internet, com milhares de seguidores.

(Foto: Uol)
Segundo Lívia, a ameaça ocorreu após ela ter publicado em suas redes sociais uma crítica ao discurso de Schutz sobre masculinidade. Ela argumentou que esse tipo de discurso pode ser tóxico e levar a comportamentos abusivos e violentos. Em resposta, Schutz fez uma série de comentários agressivos e ameaçadores contra Lívia, chegando a sugerir que ela poderia sofrer retaliações em sua carreira profissional.
Essa situação é muito preocupante, pois mostra como o discurso da masculinidade tóxica pode levar a comportamentos violentos e ameaçadores contra mulheres que se opõem a ele. Schutz não é o único coach ou influenciador que promove esse tipo de discurso na internet, e é importante que a sociedade esteja atenta aos riscos que ele representa.
As ameaças que Lívia La Gatto sofreu são inaceitáveis e devem ser levadas a sério pelas autoridades competentes. É preciso que a justiça investigue o caso e tome as medidas necessárias para garantir a segurança e a integridade física e emocional de Lívia e de todas as mulheres que possam estar em risco por causa desse tipo de discurso.
É importante que a sociedade como um todo se posicione contra a masculinidade tóxica e o discurso da autoafirmação masculina, que muitas vezes é usado como uma desculpa para justificar comportamentos abusivos e violentos contra mulheres. É necessário que homens e mulheres se unam para combater a violência de gênero em todas as suas formas, e trabalhar juntos para criar uma sociedade mais justa e igualitária para todos.

(Foto: Câmara Municipal de Juazeiro do Norte)
A morte da presidente da Câmara de Juazeiro do Norte (Ceará), Yanny Brena, de apenas 26 anos, é uma triste demonstração da violência que as mulheres enfrentam em nossa sociedade. Tudo indica que Yanny tenha sido vítima de feminicídio, crime que se caracteriza pelo assassinato de mulheres motivado pelo simples fato de serem mulheres.
As investigações apontam que o principal suspeito do crime é o namorado de Yanny, Rickson Pinto. Segundo relatos de testemunhas, o casal teria discutido pouco antes do assassinato, e Rickson teria sido visto saindo do prédio onde ocorreu o crime com as roupas sujas de sangue.
Ainda não se sabe ao certo o que teria motivado o crime, mas é possível que esteja relacionado ao machismo e à ideia de autoafirmação masculina que não concebe uma mulher se destacando, tendo autonomia e estando em espaços de poder. Yanny era uma jovem líder política em ascensão, e isso pode ter sido visto como uma ameaça por seu namorado.
O machismo é um problema grave em nossa sociedade, e a ideia de que as mulheres não devem ter autonomia, poder e voz é uma das principais causas da violência de gênero. É preciso que a sociedade como um todo se mobilize para combater essa mentalidade, e trabalhar para criar uma cultura em que homens e mulheres possam conviver em igualdade e respeito.
O feminicídio é uma das formas mais brutais de violência contra as mulheres, e é preciso que as autoridades tomem medidas enérgicas para coibir esse tipo de crime. É importante que os responsáveis por esse assassinato sejam identificados e punidos de acordo com a lei, para que a justiça seja feita e para que outros homens saibam que não podem cometer crimes dessa natureza impunemente.
Nesse momento de dor e indignação, é fundamental que a sociedade se una em defesa dos direitos das mulheres e da luta contra a violência de gênero. Yanny Brena não pode ter morrido em vão, e seu legado deve ser uma inspiração para que possamos construir uma sociedade mais justa e igualitária para todos.

(Foto: site mulher.com.br)
A Machosfera, também conhecida como Manosfera ou Movimento Masculinista, é uma subcultura que promove a ideia da masculinidade em oposição ao feminismo. Este movimento é exclusivamente formado por homens que defendem o machismo, o patriarcado e a ideia de que o homem é superior à mulher. Eles se concentram em promover uma cultura de autoafirmação, em que os homens são incentivados a focar em si mesmos, sem a necessidade de manter relacionamentos ou criar famílias.
A defesa de condutas radicais masculinas por parte da machosfera é um reflexo do machismo que ainda permeia a nossa sociedade, é uma forma de perpetuar o discurso misógino e a cultura equivocada que torna as mulheres vítimas das mais variadas formas de violência. Além disso, nega o papel protagonista da mulher na sociedade e seus direitos mais elementares, como o direito à vida. A ideia de que os homens são superiores às mulheres e de que têm o direito de dominá-las e controlá-las é uma das principais causas da violência de gênero, incluindo o feminicídio.
Essa defesa radical da masculinidade também vai em detrimento do respeito ao próximo e dos direitos humanos. Ao promover a ideia de que os homens são superiores e devem agir de forma autoritária, a machosfera acaba negando a dignidade e os direitos de todas as pessoas que não se encaixam nessa visão restrita e opressora de masculinidade.
É importante lembrar que a luta pelos direitos das mulheres e pela igualdade de gênero não significa que os homens devem ser oprimidos ou diminuídos de alguma forma. Pelo contrário, é uma luta por uma sociedade mais justa e igualitária, em que todas as pessoas possam ter as mesmas oportunidades e viver sem medo de violência ou discriminação.
A necessidade de autoafirmação é uma das principais razões pelas quais os homens se envolvem na Machosfera. Eles sentem que são julgados pelos outros homens pela sua capacidade de controlar as mulheres e ter um papel dominante na sociedade. Essa necessidade de autoafirmação pode levar a comportamentos tóxicos, como a busca de poder, a luta contra o feminismo e o controle sobre as mulheres e outros homens.
O feminismo não é e nunca foi um problema, pois é um movimento que luta pela igualdade de direitos, respeito, tolerância, autonomia e direitos civis elementares para as mulheres. O objetivo do feminismo é combater a desigualdade de gênero e a discriminação contra as mulheres em todas as esferas da vida, incluindo no trabalho, na política, na família e na sociedade em geral. O feminismo não busca a supremacia feminina sobre os homens, mas sim a igualdade de direitos e oportunidades para todos, independentemente do gênero. Portanto, o feminismo é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária para todos.
Algumas igrejas, percebendo ou não, reforçam implicitamente o discurso da Machosfera ao promoverem uma visão de homem autoritário, que é responsável por liderar e controlar a família. Isso pode levar a uma compreensão equivocada do papel dos homens e das mulheres na sociedade, perpetuando a ideia de que os homens são superiores e as mulheres devem se submeter a eles.
A cultura equivocada que a Machosfera promove também contribui para a involução da sociedade. Ela nega o papel protagonista da mulher e seus direitos mais elementares, como o direito à vida. Mulheres são frequentemente vítimas de violência física e sexual, assim como discriminação no trabalho e em outras áreas da vida. A Machosfera contribui para perpetuar essa cultura de violência e discriminação, tornando ainda mais difícil a luta pelos direitos das mulheres.
É importante ressaltar que nem todos os homens são parte da Machosfera e nem todas as igrejas promovem esse discurso e que a machosfera é uma doença social porque promove uma visão distorcida e tóxica do que é ser homem, reforçando estereótipos de masculinidade que são prejudiciais tanto para os homens quanto para as mulheres. Um número significativo de homens se opõe a essa visão tóxica da masculinidade e luta por uma sociedade mais igualitária e justa. Essa subcultura contribui para a perpetuação do machismo, da misoginia e da violência de gênero, que são problemas graves na nossa sociedade.
Esses homens que se opõe a cultura do ódio promovida pela machosfera reconhecem que o machismo e a discriminação de gênero prejudicam a todos, não apenas as mulheres, e trabalham para promover uma cultura de respeito, igualdade e diversidade. Eles entendem que a masculinidade não precisa ser vista como uma competição de poder e que os homens podem ser fortes e respeitados sem precisar dominar ou controlar as mulheres.
Essa luta contra a machosfera e o machismo é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. É preciso conscientizar as pessoas sobre os danos causados pelo machismo e trabalhar para desconstruir estereótipos e comportamentos prejudiciais. Todos nós podemos contribuir para essa luta, independentemente do gênero, e trabalhar juntos para construir um mundo mais justo e igualitário para todas as pessoas.
A igualdade de gênero é uma luta importante que deve ser travada por todos nós, homens e mulheres. Precisamos trabalhar juntos para criar uma sociedade mais justa e igualitária, em que todos tenham a oportunidade de viver plenamente, independentemente do gênero.
Ismênio Bezerra
Homens e mulheres podem viver harmoniosamente sem a sombra da violência em suas mais variadas formas, construindo relações de respeito, amor e igualdade.
Assim como Chico César já foi mulher, nós homens devemos lembrar que sem as mulheres sequer existiríamos, e que devemos respeitá-las e valorizá-las em todas as esferas da vida.
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