Demografia, geração canguru e etarismo.
- Ismênio Bezerra
- 18 de mar. de 2023
- 9 min de leitura
Os impactos demográficos podem ter efeitos significativos na estrutura e dinâmica das sociedades, afetando áreas como a economia, a política, a saúde, a educação e a cultura.
Para construir uma sociedade mais justa, é fundamental que tenhamos consciência dos nossos preconceitos e dos estereótipos que podem limitar a visão que temos dos outros. Ao dominar conceitos e eliminar preconceitos, podemos ser mais inclusivos e tolerantes, reconhecendo a igualdade de direitos e oportunidades para todas as pessoas, independentemente de sua origem, gênero, idade, orientação sexual ou outras características. Dessa forma, podemos construir uma sociedade mais justa e solidária, que respeita e valoriza a diversidade como um elemento essencial para o bem-estar individual e coletivo.
O envelhecimento da população é um fenômeno global que vem ocorrendo em grande parte dos países do mundo nas últimas décadas. Isso se deve, principalmente, ao aumento da expectativa de vida e à diminuição das taxas de natalidade.
Esse processo é consequência do desenvolvimento econômico, social e médico que permitiu melhorias significativas nas condições de vida e na assistência médica, o que fez com que as pessoas vivessem mais e com maior qualidade de vida.
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial com 65 anos ou mais é de cerca de 703 milhões de pessoas, ou seja, 9,2% da população mundial. Estima-se que em 2050, esse número atinja 1,5 bilhão de pessoas, ou seja, 16,5% da população mundial.
Os países com as maiores proporções de idosos são, em geral, os mais desenvolvidos, como Japão, Itália, Alemanha e Espanha. No Japão, por exemplo, a população idosa já ultrapassou a marca de 28% da população total e é projetado que atinja 38% em 2050. Isso tem levado a uma série de desafios para o governo japonês, que precisa lidar com o aumento dos gastos com assistência médica e previdência social.
No Brasil, o envelhecimento da população também tem sido uma realidade cada vez mais presente. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que a população idosa no país já ultrapassou a marca dos 30 milhões de pessoas em 2020, o que representa cerca de 14,3% da população brasileira. A projeção é que em 2060, esse número ultrapasse 73 milhões de pessoas, o que representará cerca de 33,7% da população brasileira.
O envelhecimento da população traz consigo uma série de desafios para os governos e sociedades. É preciso criar políticas públicas e sistemas de seguridade social que garantam o bem-estar e a qualidade de vida dos idosos. Além disso, é preciso repensar as estruturas sociais e econômicas para que elas possam lidar com as mudanças trazidas pelo envelhecimento da população.

Geração Canguru
A Geração Canguru é o nome dado ao grupo de jovens adultos que ainda moram com seus pais. Esse termo se popularizou nos anos 90, em referência ao marsupial australiano que carrega seus filhotes na bolsa por um longo período.
Esse fenômeno é resultado de uma série de fatores, como a dificuldade em conseguir empregos bem remunerados, o aumento no custo de vida e a falta de opções de moradia acessíveis. Além disso, muitos jovens também preferem continuar morando com seus pais para economizar dinheiro e se preparar financeiramente para o futuro.
Apesar de ser visto por alguns como um sinal de imaturidade ou preguiça, a Geração Canguru tem suas vantagens. Os jovens que moram com seus pais podem ter mais estabilidade financeira e emocional, o que pode ajudá-los a se concentrar em seus objetivos e aspirações de longo prazo.
É importante que esses jovens estejam cientes dos desafios que podem enfrentar ao sair da casa dos pais, como a necessidade de ser financeiramente independentes e lidar com as responsabilidades da vida adulta. É também importante que os pais incentivem seus filhos a buscar a independência e a desenvolver habilidades que os ajudem a lidar com a vida fora do ambiente familiar.
A Geração Canguru, termo que se refere a jovens adultos que ainda moram com seus pais, é um fenômeno que não é exclusivo do Brasil, mas que também é bastante presente no país. A razão para isso pode ser atribuída a uma série de fatores, incluindo a instabilidade econômica, a dificuldade em encontrar empregos bem remunerados e a falta de opções de moradia acessíveis.
Uma pesquisa realizada em 2021 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revelou que cerca de 50% dos brasileiros entre 25 e 34 anos ainda moram com seus pais. Além disso, a pesquisa também mostrou que a proporção de jovens adultos que ainda vivem com seus pais tem aumentado gradualmente nos últimos anos.
Uma das principais razões para isso é o alto custo de vida no Brasil. A falta de empregos bem remunerados e a inflação elevada fazem com que muitos jovens não tenham condições financeiras de se mudar para suas próprias casas. Além disso, a crise habitacional no país significa que muitos jovens têm dificuldade em encontrar opções de moradia acessíveis.
Outro fator que contribui para a Geração Canguru no Brasil é a cultura da família. Muitas famílias brasileiras são muito próximas e a ideia de se mudar para longe dos pais pode ser vista como um sinal de desrespeito ou ingratidão. No Brasil, é comum que as famílias criem seus filhos com a intenção de que permaneçam próximos ao núcleo familiar, mesmo que de forma independente. Essa cultura pode contribuir para o fenômeno da Geração Canguru.
Apesar de alguns estereótipos negativos associados à Geração Canguru, há vantagens para os jovens adultos que ainda moram com seus pais. Eles podem ter mais estabilidade financeira e emocional, o que pode ajudá-los a se concentrar em seus objetivos e aspirações de longo prazo.
No entanto, é importante que os jovens estejam cientes dos desafios que podem enfrentar ao sair da casa dos pais e que os pais os incentivem a buscar a independência. Os pais podem ajudar seus filhos a se preparar para a vida fora do ambiente familiar, incentivando-os a desenvolver habilidades financeiras e a buscar oportunidades de emprego e moradia.
Em resumo, a Geração Canguru é um fenômeno que reflete as mudanças econômicas e culturais no Brasil. Embora tenha suas vantagens, é importante que os jovens estejam cientes dos desafios que podem enfrentar ao sair da casa dos pais e que os pais os incentivem a buscar a independência.

Etarismo
O etarismo é uma forma de discriminação baseada na idade das pessoas, que envolve a aplicação de estereótipos negativos ou limitações em indivíduos ou grupos com base em sua idade. Essa discriminação pode afetar qualquer pessoa, independentemente da idade, mas geralmente é direcionada a grupos mais velhos, como idosos ou pessoas próximas da aposentadoria.
O etarismo pode se manifestar de várias maneiras, desde piadas e comentários depreciativos até a exclusão social e a discriminação no mercado de trabalho. Ele pode afetar a autoestima e a saúde mental das pessoas que são alvo desse tipo de discriminação, além de restringir suas oportunidades de emprego e desenvolvimento pessoal.
Um exemplo comum de etarismo é a crença de que pessoas mais velhas são menos capazes de aprender ou se adaptar a novas tecnologias, o que pode levar à exclusão de indivíduos mais velhos de certos empregos ou setores. Outro exemplo é a ideia de que pessoas mais velhas são menos produtivas ou eficientes, o que pode levar à discriminação no mercado de trabalho.
O etarismo também pode ter consequências negativas para a sociedade como um todo, já que a discriminação baseada na idade pode levar à exclusão social e à marginalização de grupos mais velhos. Isso pode afetar negativamente a coesão social e a solidariedade intergeracional.
É importante que a sociedade como um todo esteja consciente do problema do etarismo e trabalhe para combatê-lo. Isso pode envolver a promoção da diversidade etária em locais de trabalho e outras esferas da vida pública, bem como a sensibilização da população em geral para o impacto negativo do etarismo. É fundamental que todos sejam tratados com igualdade e respeito, independentemente de sua idade.

Embora muitas pessoas acreditem que o etarismo seja um problema exclusivo de países desenvolvidos, ele também é bastante presente no Brasil. Uma das principais formas de etarismo no Brasil é a discriminação no mercado de trabalho. Muitas empresas preferem contratar funcionários mais jovens, sob a suposição de que eles são mais produtivos e adaptáveis às novas tecnologias. Além disso, os trabalhadores mais velhos muitas vezes enfrentam a pressão de se aposentar mais cedo, mesmo que desejem continuar trabalhando.
No Brasil, existe uma regra que obriga os juízes a se aposentarem aos 75 anos de idade. Essa regra tem sido alvo de debates e controvérsias sobre a questão do etarismo no Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2020, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) entrou com uma ação no STF questionando a regra da aposentadoria compulsória aos 75 anos, alegando que ela é inconstitucional e viola os direitos fundamentais dos juízes. A ação ainda está em julgamento, mas já gerou muitas discussões sobre o etarismo no sistema judiciário.
Muitos argumentam que a regra é justificada por razões de saúde e de produtividade, mas outros acreditam que ela é baseada em estereótipos sobre a capacidade dos juízes mais velhos de exercerem suas funções. Alguns acreditam que juízes mais velhos podem ser mais sábios e experientes, enquanto outros argumentam que eles podem estar mais propensos a cometer erros ou serem menos produtivos.
Independentemente da posição, a discussão sobre a aposentadoria compulsória dos juízes ilustra a importância de debater o etarismo e seus efeitos na sociedade. Enquanto o envelhecimento da população continua a aumentar, é importante questionar os estereótipos relacionados à idade e valorizar a experiência e as habilidades dos indivíduos, independentemente de sua idade.
Outra forma de etarismo no Brasil é a discriminação social. Pessoas mais velhas podem ser vistas como ultrapassadas ou sem valor na sociedade, especialmente no que diz respeito à cultura popular e à moda. Além disso, as pessoas mais velhas muitas vezes são ignoradas ou desconsideradas em espaços públicos, como transportes públicos e filas em bancos e supermercados.
É importante lembrar que o etarismo não afeta apenas os idosos, mas também os jovens. Crianças e adolescentes podem ser rotulados como incapazes devido à sua idade e serem impedidos de participar de atividades ou assumir responsabilidades. Da mesma forma, os jovens adultos podem ser discriminados por serem considerados imaturos ou inexperientes.
Embora a legislação brasileira proíba a discriminação por idade em muitas áreas, ainda há muito trabalho a ser feito para combater o etarismo no país. É importante que todos se esforcem para combater os estereótipos relacionados à idade e valorizar a experiência e as habilidades dos indivíduos, independentemente de sua idade. As empresas devem estar atentas à sua responsabilidade social e buscar promover a diversidade etária em suas equipes. A educação e a conscientização sobre o etarismo também são importantes para combater essa forma de discriminação e promover uma sociedade mais justa e inclusiva para pessoas de todas as idades.
A porcentagem de renda concentrada ou recebida por idosos mensalmente varia muito de acordo com a fonte de dados e a região do país. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2019, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda média mensal dos idosos brasileiros (com 60 anos ou mais) era de R$ 1.380, o que representava 44,9% da renda média da população em geral.
É importante ressaltar que essa média não reflete a realidade de muitos idosos, especialmente aqueles que vivem em situação de vulnerabilidade social. Muitos idosos dependem exclusivamente de aposentadorias e pensões para sobreviver, que muitas vezes são insuficientes para cobrir suas necessidades básicas.
O acesso à renda também varia muito de acordo com a região do país. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) de 2020 mostrou que a desigualdade de renda entre os idosos é maior na região Nordeste, onde 49,9% da população idosa vive com menos de um salário mínimo, em comparação com 25,8% na região Sul.
É um equívoco pensar que apenas as pessoas idosas em situação de vulnerabilidade são vítimas de etarismo. Na verdade, há um número significativo de pessoas idosas que são financeiramente estáveis, independentes e têm autonomia, mas ainda assim sofrem com o preconceito e a discriminação baseados na idade.
O etarismo pode se manifestar de diferentes formas, desde piadas e comentários depreciativos até a recusa de emprego ou serviços de saúde com base na idade. Mesmo as pessoas idosas que são financeiramente estáveis e independentes podem ser alvo de estereótipos e preconceitos sobre sua capacidade de se adaptar às mudanças tecnológicas, por exemplo, ou sobre sua disposição para aprender coisas novas.
Além disso, é importante ressaltar que a autonomia financeira e a independência não garantem imunidade contra o etarismo. Muitas vezes, as pessoas idosas que são financeiramente estáveis e independentes são vistas como exceções à regra, e sua experiência é desvalorizada ou considerada irrelevante.

Uma das principais formas de combater o etarismo é por meio da educação. É fundamental que as escolas e universidades incluam em seus currículos conteúdos que promovam o respeito e a valorização da diversidade etária, bem como a compreensão das questões relacionadas ao envelhecimento e à longevidade. Além disso, é importante que os profissionais que atuam com pessoas idosas, como médicos, enfermeiros, assistentes sociais e cuidadores, sejam capacitados para reconhecer e combater o etarismo em suas práticas. A conscientização e o diálogo intergeracional também são essenciais para promover uma cultura de respeito e valorização da diversidade etária. É preciso reconhecer que todas as idades têm valor e contribuições a oferecer à sociedade e trabalhar juntos para construir uma cultura de inclusão e respeito mútuo.
É imprescindível que o parlamento e o governo brasileiro desenvolvam políticas que combatam o etarismo e valorizem a população idosa. Com o envelhecimento da população, os idosos em breve serão a maioria no país, e isso exige que sejam criadas medidas específicas para atender às necessidades e demandas desse grupo. Além disso, o etarismo é uma forma de discriminação que muitas vezes passa despercebida e pode comprometer o bem-estar e a dignidade dos idosos. Políticas públicas que promovam a inclusão social, a autonomia e a valorização dos idosos são fundamentais para garantir uma sociedade mais justa e solidária, que respeita e valoriza todas as etapas da vida.
Ismênio Bezerra
Sociedades que protegem e valorizam seus idosos tendem a ser mais bem sucedidas e saudáveis em diversos aspectos. Um exemplo disso são as nações indígenas, que tradicionalmente têm uma forte cultura de respeito e valorização dos mais velhos.
Essas práticas contribuem para a coesão social, o bem-estar individual e coletivo, e o desenvolvimento sustentável das comunidades. Portanto, a valorização e proteção dos idosos não só é um imperativo ético e moral, mas também um elemento crucial para a construção de sociedades mais justas, equitativas e saudáveis.
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