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Jejum em diversos contextos: o melhor jejum é o de atitudes incorretas

Jejum é o exercício de autocontrole que faz você perceber o quão fraco é quando não consegue resistir a um pedaço de bolo. Mas também é o desafio que te leva além dos limites do seu corpo, para explorar a força da sua mente e espírito.


O texto a seguir promove uma reflexão e uma provocação sobre o jejum.


O jejum é uma prática presente em diversas religiões e culturas, que consiste na abstenção total ou parcial de alimentos ou bebidas por um período determinado. Para muitos, o jejum é uma forma de purificação e disciplina espiritual, que traz benefícios tanto para o corpo quanto para a mente. Porém, é importante refletir sobre os diferentes contextos em que o jejum é praticado e seus significados.


Uma das principais ideias relacionadas ao jejum é a de que ele nos ajuda a nos afastar dos excessos e dos hábitos prejudiciais. Porém, o melhor jejum não é o que nos priva apenas de alimentos e bebidas, mas sim o que nos faz mudar de atitudes. De nada adianta fazer um jejum rigoroso e continuar a ter atitudes incorretas, como falar mal dos outros, mentir, roubar, entre outras ações que vão contra os princípios éticos e morais.


Nesse sentido, o melhor jejum é aquele que nos faz refletir sobre nossas atitudes e nos incentiva a mudar para melhor. É preciso que o jejum esteja associado a uma postura de autoavaliação e autocrítica, que nos ajude a identificar nossos erros e fraquezas e a trabalhar em cima delas. O jejum, portanto, deve ser visto como uma ferramenta para aperfeiçoamento pessoal e para o crescimento espiritual.



Por outro lado, num mundo onde tanta gente passa fome, o jejum sem propósito é um escárnio e um insulto com os mais carentes. É importante lembrar que o jejum deve ser praticado com consciência e responsabilidade, e que não devemos ignorar a realidade das desigualdades sociais e econômicas que existem em nosso planeta. O jejum pode ser uma forma de solidariedade com os mais necessitados, desde que esteja associado a ações concretas de ajuda e apoio. É hipocrisia pedir que pessoas que sofrem de restrições alimentares ou passam fome façam jejum como uma forma de aprimoramento espiritual, quando na verdade, o verdadeiro desafio é lutar contra a desigualdade social e garantir o direito básico à alimentação para todos.


Em algumas culturas antigas, o jejum era utilizado de maneira muito diferente dos propósitos éticos e corretos dessa prática de "purificação". Em alguns casos, o jejum era utilizado para facilitar a indução coletiva, a alienação em massa e até mesmo para provocar alucinações. Essas práticas eram usadas como forma de controle social e religioso sobre as pessoas, muitas vezes associadas a rituais que exigiam grande disciplina e autocontrole. No entanto, é importante destacar que essas práticas não refletem a verdadeira essência do jejum, que deve ser vista como uma oportunidade para reflexão, mudança de atitudes e conexão com o divino, independentemente da religião ou cultura.


Na Bíblia, há diversos fundamentos para fazer o jejum, bem como para não fazer. Em primeiro lugar, o jejum é visto como uma forma de expressar arrependimento e busca por perdão de Deus, conforme está descrito em Joel 2:12-13: "Agora, porém, diz o Senhor: Voltem-se para mim de todo o coração, com jejum, lamento e pranto. Rasguem o coração e não as vestes. Voltem-se para o Senhor, o seu Deus, pois ele é misericordioso e compassivo, muito paciente e cheio de amor; arrepende-se prontamente do mal."


Outro fundamento para o jejum é o de buscar orientação e ajuda divina em momentos de dificuldade ou tomada de decisões importantes, como é o caso de Esdras 8:21-23: "Então proclamei um jejum ali, junto ao rio Ava, para nos humilharmos diante do nosso Deus e pedirmos a ele uma viagem segura para nós, nossos filhos e todo o nosso material. Eu não havia pedido ajuda ao rei para nos proteger durante a viagem, pois havia dito ao rei: A mão bondosa do nosso Deus está sobre todos os que o buscam, mas o seu poder e a sua ira estão contra todos os que o abandonam. Por isso jejuamos e pedimos isso ao nosso Deus, e ele atendeu à nossa súplica."


A Bíblia também alerta sobre o perigo de fazer o jejum de forma hipócrita, ou seja, com o objetivo de mostrar aos outros que está jejuando e não por um real propósito espiritual. Em Mateus 6:16-18, Jesus diz: "Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os outros vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa. Mas, quando você jejuar, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê em secreto. E seu Pai, que vê em secreto, o recompensará."


Embora a prática do jejum seja muito comum durante a Quaresma e em outras ocasiões religiosas específicas, o jejum da maldade deveria ser praticado o ano todo. O jejum da maldade é uma prática que consiste em se abster de comportamentos prejudiciais aos outros, como a mentira, a calúnia, a vingança e outras atitudes que ferem a convivência harmoniosa em sociedade. Essa prática não está necessariamente ligada a uma tradição religiosa específica, mas sim a uma postura ética e moral.


Por isso, o jejum da maldade é uma prática que deveria ser praticada o ano todo, e não apenas em períodos específicos. Ao nos abstermos de comportamentos que prejudicam os outros, estamos contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e harmoniosa. É importante lembrar que o respeito ao próximo e a busca pela convivência pacífica devem ser valores presentes em nossas vidas diariamente.


Em resumo, a Bíblia apresenta o jejum como uma prática espiritual importante para a busca de perdão e ajuda divina, mas alerta sobre a necessidade de fazê-lo com um propósito verdadeiro e sem ostentação. O jejum é uma prática que pode trazer muitos benefícios, tanto para o corpo quanto para a mente e o espírito. Porém, é importante que o jejum esteja associado a uma postura de autoavaliação e mudança de atitudes, e que seja praticado com responsabilidade e consciência social. O melhor jejum é o que nos ajuda a evoluir como seres humanos e a contribuir para um mundo mais justo e solidário.


Ismênio Bezerra

Jejum pode ser uma prática espiritual que vem de Deus, enquanto a obsessão por dietas pode ser vista como uma invenção do diabo. No entanto, algumas pessoas estão tentando substituir o diabo nessa função, tornando a obsessão alimentar um novo tipo de culto moderno.


Considere doar os alimentos que você não consumirá durante o seu jejum para aqueles que passam fome e precisam deles para sobreviver.

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