Da Igreja Primitiva Cristã até os dias atuais.
- Ismênio Bezerra
- 1 de abr. de 2023
- 30 min de leitura
A Igreja Cristã nasceu no dia de Pentecostes, cerca de cinquenta dias após a ressurreição de Jesus Cristo.

De acordo com o livro de Atos dos Apóstolos no Novo Testamento, no dia de Pentecostes, os apóstolos e outros discípulos estavam reunidos em Jerusalém quando o Espírito Santo desceu sobre eles em forma de línguas de fogo. Eles começaram a falar em línguas diferentes, e as pessoas que estavam na cidade, de diversas nações e línguas, ouviram a mensagem em sua própria língua.
Pedro então pregou um sermão sobre Jesus Cristo e a ressurreição, e cerca de três mil pessoas se converteram ao cristianismo naquele dia. Esses convertidos foram batizados, e a partir desse momento, eles formaram a Igreja Cristã primitiva, que era liderada pelos apóstolos e outros líderes religiosos.
Assim, podemos dizer que a Igreja Cristã nasceu no primeiro século, logo após a morte e ressurreição de Jesus Cristo, e foi fundada pelos apóstolos e discípulos que receberam o Espírito Santo no dia de Pentecostes. A partir daí, a Igreja se espalhou por todo o mundo, e se tornou a maior religião do mundo, com mais de dois bilhões de seguidores atualmente.
A Igreja Primitiva, também conhecida como Igreja Primitiva Cristã, se refere ao período inicial da história cristã, desde a fundação da Igreja por Jesus Cristo no século I até o final do século V. Durante esse período, a Igreja passou por uma série de mudanças e desenvolvimentos que moldaram o cristianismo como o conhecemos hoje.
A Igreja Primitiva era formada por um conjunto de comunidades religiosas independentes, que se espalhavam por todo o Império Romano. Essas comunidades eram lideradas por apóstolos e seus discípulos, e eram baseadas em princípios como a adoração a Deus, a partilha de bens e a prática da caridade.
Entre as principais figuras da Igreja Primitiva estão os apóstolos Pedro, Paulo e João, além dos escritores do Novo Testamento, como Lucas, Mateus, Marcos e João. Durante esse período, surgiram também alguns movimentos dissidentes, como os gnósticos e os ebionitas, que foram considerados heréticos pela Igreja.
A Igreja Primitiva enfrentou perseguições por parte do Império Romano, que considerava o cristianismo uma religião ilegal e perigosa. No entanto, o número de fiéis cresceu rapidamente, e o imperador Constantino reconheceu o cristianismo como uma religião legal no início do século IV.
No final do século V, a Igreja Primitiva havia se transformado em uma instituição mais organizada e hierárquica, com bispos e sacerdotes em cargos de liderança. A partir desse período, começou a surgir a ideia de uma Igreja universal, com uma doutrina unificada e uma autoridade centralizada em Roma.
Sobre Pedro

Em Mateus 16:18 Jesus diz: "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". Esse versículo é uma passagem importante na Bíblia em que Jesus designa Pedro para liderar a Igreja após sua morte e ressurreição. Acredita-se que Jesus tenha escolhido Pedro por vários motivos. Pedro era um dos apóstolos mais próximos de Jesus: Pedro era um dos três apóstolos mais próximos de Jesus, juntamente com Tiago e João. Ele estava presente em vários momentos importantes da vida de Jesus, como a Transfiguração, a cura da sogra de Pedro e a ressurreição da filha de Jairo.
Pedro confessou a fé em Jesus Cristo: Pedro confessou sua fé em Jesus Cristo como o Filho de Deus, como mencionado em Mateus 16:16, antes de Jesus o designar para liderar a Igreja. Essa confissão é considerada uma demonstração de lealdade e fidelidade a Jesus.
Pedro mostrou liderança e coragem: Pedro era conhecido por ser impulsivo e às vezes cometia erros, mas ele também demonstrou liderança e coragem em várias ocasiões. Por exemplo, ele foi o único apóstolo a caminhar sobre a água com Jesus.
Jesus, como Deus encarnado, conhecia profundamente a natureza humana e sabia que Pedro tinha suas fragilidades e limitações. Por exemplo, Pedro negou Jesus três vezes antes da crucificação, o que mostra que ele era capaz de fraquejar em momentos difíceis. No entanto, Jesus também enxergou em Pedro qualidades importantes que o tornavam uma boa escolha para liderar a Igreja. Pedro demonstrou lealdade e coragem ao seguir Jesus mesmo em momentos de perigo, como quando cortou a orelha do soldado romano durante a prisão de Jesus. Ele também confessou sua fé em Jesus Cristo como o Filho de Deus, o que mostrou sua compreensão do ensinamento de Jesus.
Além disso, Pedro era um dos apóstolos mais próximos de Jesus e tinha uma personalidade forte e carismática. Ele era conhecido por ser impulsivo e às vezes cometer erros, mas também era um líder natural que inspirava os outros com sua devoção e entusiasmo. Assim, podemos dizer que Jesus escolheu Pedro para liderar a Igreja porque ele enxergou nele tanto suas fragilidades humanas quanto suas virtudes mais louváveis. Jesus sabia que Pedro não era perfeito, mas acreditava que ele seria capaz de liderar a Igreja com sabedoria, coragem e devoção, integridade e inspirar os outros com sua liderança carismática.
Sobre Constantino

Constantino, também conhecido como Constantino I, foi um imperador romano que governou de 306 a 337 d.C. Ele é conhecido por ser o primeiro imperador romano a se converter ao cristianismo e por ter promovido a tolerância religiosa no Império Romano. Constantino nasceu em 272 d.C., filho do imperador romano Constâncio Cloro. Ele passou a maior parte de sua juventude na corte imperial em Nicomédia, onde recebeu uma educação sólida em história, filosofia e retórica. Em 306 d.C., seu pai morreu e Constantino foi proclamado imperador pelas tropas estacionadas na Grã-Bretanha.
Ao longo de seu reinado, Constantino enfrentou vários desafios, incluindo revoltas internas, invasões bárbaras e conflitos com outros líderes romanos. No início de sua carreira, ele adotou uma política religiosa tolerante, permitindo que cristãos e não-cristãos adorassem livremente. No entanto, ele se converteu ao cristianismo no final de sua vida e se tornou um grande defensor da fé cristã.
A conversão de Constantino ao cristianismo é um assunto de debate entre os historiadores, mas geralmente é atribuída a uma visão que ele teve antes da Batalha da Ponte Milviana, em 312 d.C. Segundo a tradição, Constantino teve uma visão de uma cruz com as palavras "in hoc signo vinces" ("Com este sinal, vencerás") e decidiu adotar o cristianismo como sua religião.
Após sua conversão, Constantino emitiu vários decretos que favoreciam os cristãos, como a legalização do cristianismo em 313 d.C. com o Edito de Milão e a construção de igrejas em todo o Império Romano. Ele também convocou o Concílio de Niceia em 325 d.C., que estabeleceu a doutrina cristã ortodoxa e condenou a heresia ariana.
Pós Constantino e a Idade Média

Depois da morte de Constantino, a Igreja enfrentou uma série de desafios e mudanças significativas em seu papel na sociedade. Um dos primeiros desafios que a Igreja enfrentou foi a disputa pelo poder entre os seus líderes. Constantino havia conferido um status especial à Igreja, tornando-a uma instituição privilegiada no Império Romano, mas isso também criou um ambiente em que vários líderes da Igreja lutavam pelo poder e influência. A rivalidade entre os líderes da Igreja culminou no Cisma do Oriente e Ocidente, em 1054, que dividiu a Igreja em duas partes distintas: a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa Oriental.
Além disso, a relação entre a Igreja e o Estado mudou significativamente após a morte de Constantino. Sob seus sucessores, os imperadores começaram a exercer mais controle sobre a Igreja, interferindo em questões teológicas e nomeando líderes da Igreja. Isso culminou no Cisma das Investiduras, no século XI, quando a Igreja lutou contra os esforços do imperador para controlar a nomeação de bispos e outros líderes da Igreja.
Outro desafio que a Igreja enfrentou foi a crescente ameaça do Islamismo, que surgiu na Arábia no século VII e rapidamente se espalhou pelo Oriente Médio, Norte da África e Península Ibérica. A Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa Oriental lutaram para conter a expansão islâmica e manter sua influência na região.
Apesar desses desafios, a Igreja continuou a crescer e se expandir durante a Idade Média, estabelecendo-se como uma instituição poderosa e influente na Europa e em outras partes do mundo. Ela enfrentou muitos desafios ao longo dos séculos, mas manteve-se como uma das principais instituições religiosas e sociais da história.
A tomada de Jerusalém e as cruzadas

Os muçulmanos tomaram Jerusalém em 637 d.C., durante o califado do segundo sucessor de Maomé, Umar ibn al-Khattab. A conquista de Jerusalém pelos muçulmanos foi uma das primeiras grandes vitórias do Islã fora da península arábica. Para a Igreja de Cristo, a conquista de Jerusalém pelos muçulmanos teve um grande impacto simbólico e espiritual. Jerusalém era um dos lugares mais sagrados para o cristianismo, pois foi onde Jesus foi crucificado, sepultado e ressuscitou. A conquista de Jerusalém pelos muçulmanos significou que o controle desses locais sagrados passou para mãos muçulmanas, o que foi um duro golpe para os cristãos.
A relação entre os muçulmanos e os cristãos em Jerusalém foi relativamente pacífica durante a maior parte do período muçulmano. Os muçulmanos permitiram que os cristãos continuassem a visitar e venerar seus lugares sagrados, embora eles fossem colocados sob controle muçulmano. Além disso, durante o período da dominação muçulmana, várias igrejas e mosteiros cristãos foram construídos em Jerusalém, incluindo a Igreja do Santo Sepulcro, que se tornou um importante centro de peregrinação cristã.
Ao longo da história, houve momentos de tensão entre cristãos e muçulmanos em Jerusalém, incluindo durante as Cruzadas. As Cruzadas foram uma série de expedições militares realizadas pelos cristãos europeus entre os séculos XI e XIII, com o objetivo de retomar a Terra Santa (Jerusalém e outras regiões do Oriente Médio) das mãos dos muçulmanos. As Cruzadas foram motivadas tanto por razões religiosas (os cristãos queriam recuperar os lugares sagrados do cristianismo) quanto políticas (os líderes europeus viam uma oportunidade de expandir seu poder e influência).
O impacto das Cruzadas na Igreja Católica foi significativo. Em primeiro lugar, as Cruzadas aumentaram o poder e a influência da Igreja, que desempenhou um papel importante na organização das expedições e na angariação de recursos para financiá-las. Além disso, as Cruzadas levaram a um renascimento do comércio e da cultura europeia, já que as expedições permitiram o contato com outras culturas e regiões.
No entanto, as Cruzadas também geraram tensões entre a Igreja Católica e o Islamismo. Embora as Cruzadas tenham sido apresentadas como uma luta justa para retomar os lugares sagrados do cristianismo, muitas vezes elas foram marcadas por violência e brutalidade contra os muçulmanos e outras minorias religiosas na região. Isso levou a uma animosidade crescente entre as duas religiões, o que persiste até hoje em algumas partes do mundo.
A Igreja Católica teve um relacionamento complexo com o Islamismo ao longo da história. Embora as Cruzadas tenham criado tensões entre as duas religiões, também houve momentos de diálogo e cooperação. Por exemplo, no século XIII, o filósofo e teólogo cristão Tomás de Aquino escreveu extensivamente sobre o Islamismo e procurou encontrar pontos em comum entre as duas religiões. Mais recentemente, o Papa Francisco tem defendido um diálogo inter-religioso entre o cristianismo e o Islamismo, na tentativa de construir pontes entre as duas comunidades e promover a paz e a compreensão mútua. Atualmente, Jerusalém é uma cidade sagrada tanto para o cristianismo quanto para o Islã, e continua a ser um ponto de tensão entre as duas religiões e os diferentes grupos que reivindicam direitos sobre a cidade.
Crescimento do cristianismo, “Santa Inquisição”, ruptura e reforma protestante.

Após as Cruzadas, o cristianismo continuou a crescer e se espalhar pela Europa e pelo mundo, com a fundação de novas igrejas e mosteiros, a evangelização de novas regiões e o trabalho missionário em outras partes do mundo. No entanto, o cristianismo também enfrentou desafios, como a concorrência com outras religiões e crenças, bem como conflitos internos e divisões.
A "Santa Inquisição" foi um período de repressão religiosa organizada pela Igreja Católica, que ocorreu principalmente na Europa entre os séculos XIII e XVIII. Seu objetivo era suprimir a heresia, que era considerada uma ameaça à unidade da igreja e à salvação das almas. Durante a Inquisição, os suspeitos de heresia eram julgados e punidos, muitas vezes com tortura e execução. A Inquisição foi criticada por muitos por sua violência e falta de respeito aos direitos humanos.
A ruptura e reforma protestante ocorreram no século XVI, quando um movimento liderado por Martinho Lutero, um monge e professor alemão, contestou muitos dos ensinamentos e práticas da Igreja Católica. Os reformadores protestantes criticavam a venda de indulgências, a autoridade do papa e a adoração aos santos, entre outras questões. A Reforma Protestante levou à criação de novas denominações cristãs, como o luteranismo, o calvinismo e o anglicanismo, que se separaram da Igreja Católica. A Reforma Protestante teve um impacto significativo na história da Europa e do cristianismo, influenciando a política, a cultura e a religião.
Durante a Reforma Protestante, a Igreja Ortodoxa Oriental, que inclui as igrejas ortodoxas gregas, russas, sérvias, entre outras, permaneceu relativamente isolada dos eventos que ocorreram na Europa Ocidental. A Igreja Ortodoxa já havia se separado da Igreja Católica no Grande Cisma de 1054, e, portanto, não tinha laços estreitos com a Igreja Católica ou com as novas denominações protestantes que surgiram.
A Reforma Protestante teve alguns impactos indiretos na Igreja Ortodoxa Oriental. Por exemplo, as tensões políticas e religiosas entre os países europeus que abraçaram a Reforma Protestante e os que permaneceram católicos afetaram a Igreja Ortodoxa, especialmente no Leste Europeu. Além disso, as ideias e os valores da Reforma Protestante, como o individualismo religioso e a leitura da Bíblia pelos leigos, desafiaram a autoridade e a tradição da Igreja Ortodoxa.
Em resposta, a Igreja Ortodoxa fortaleceu sua ênfase na tradição e na liturgia, reforçando sua autoridade e unidade como uma igreja. A Igreja Ortodoxa também enfatizou a importância da teologia e da doutrina para fortalecer sua identidade e unidade em face dos desafios externos. Em geral, a Reforma Protestante teve um impacto limitado na Igreja Ortodoxa Oriental, que continuou a seguir seu próprio caminho teológico e litúrgico.
O equívoco da mistura entre o cristianismo, a política e o poder governamental.

No século XVI, as igrejas cristãs (católica, protestante e ortodoxa) frequentemente se envolviam em disputas que misturavam religião, política e poder governamental. Essas disputas frequentemente resultavam em guerras, conflitos e perseguições religiosas. Entre os equívocos que podem ser apontados estão:
1. Confusão entre poder espiritual e temporal: As igrejas frequentemente confundiam sua autoridade espiritual com poder temporal, ou seja, o poder sobre o governo e a política. Isso levou à crença de que a igreja deveria exercer controle sobre as decisões políticas, inclusive por meio da imposição de leis e da participação ativa na política.
2. Conflitos entre igrejas: As diferentes denominações cristãs frequentemente entravam em conflito entre si, disputando poder e influência. Isso muitas vezes levava a conflitos violentos, como guerras religiosas e perseguições.
3. Intolerância religiosa: As igrejas frequentemente não toleravam outras crenças ou práticas religiosas, o que levava à perseguição de minorias religiosas e à tentativa de impor sua própria visão de mundo sobre os outros.
4. Uso da religião para justificar a violência: Muitas vezes, as igrejas usavam a religião para justificar a violência e a guerra. Isso incluía a noção de que a guerra santa era justificada em nome de Deus.
5. Mistura de interesses políticos e religiosos: O desejo de poder político muitas vezes levava as igrejas a misturarem seus interesses políticos e religiosos. Isso resultou em muitos conflitos internos, onde os interesses políticos frequentemente superavam os religiosos.
Esses equívocos tiveram impactos duradouros na história das igrejas cristãs e nas relações entre elas. Embora muitos esforços tenham sido feitos para superar essas divisões e trabalhar em direção à unidade, as consequências desses equívocos ainda são sentidas em muitas partes do mundo hoje.
A reforma faliu?!

A Reforma Protestante foi um movimento religioso que surgiu no século XVI como uma tentativa de reformar a Igreja Católica, que na época estava marcada pela corrupção, excessos de poder e distanciamento dos valores cristãos. A Reforma Protestante foi liderada por figuras como Martinho Lutero, João Calvino e Ulrico Zwinglio, que lutaram pela liberdade religiosa, pela leitura livre da Bíblia e pela salvação pela graça de Deus, sem a necessidade de intermediários.
O movimento da Reforma Protestante acabou fracassando em alguns aspectos. Em primeiro lugar, muitos dos líderes reformistas acabaram cedendo à tentação do poder, construindo igrejas e instituições que rivalizavam com a Igreja Católica em termos de riqueza e influência. Em vez de promover a liberdade religiosa e a igualdade entre as pessoas, essas igrejas protestantes acabaram sendo igualmente autoritárias e hierárquicas.
Outro fator que contribuiu para o fracasso da Reforma Protestante foi a fragmentação das denominações protestantes. À medida que o movimento crescia, surgiram inúmeras vertentes e grupos distintos, cada um com sua própria interpretação da Bíblia e suas próprias práticas religiosas. Essa fragmentação acabou enfraquecendo o movimento e tornando difícil a realização de uma reforma unificada.
No final do século XIX, surgiram duas tendências importantes dentro do protestantismo: o evangelicalismo e o pentecostalismo. O evangelicalismo enfatizava a importância da pregação da Bíblia e da conversão pessoal, enquanto o pentecostalismo destacava a experiência espiritual direta e a manifestação de dons como a cura e a profecia.
Mesmo essas tendências acabaram sofrendo críticas por parte de muitos que afirmavam que elas haviam perdido o foco em Deus e se preocupavam demais com a promoção da sua própria marca e visão. Essas críticas argumentavam que os líderes evangélicos e pentecostais se tornaram autoritários e manipuladores, usando a Bíblia para dominar e alienar pessoas e promover sua própria agenda.
Como a Igreja Católica emergiu e se consolidou como o raiz e tronco da árvore do cristianismo.

Apesar dos desafios enfrentados pela Igreja Católica ao longo da história, ela se consolidou como a maior igreja do mundo em grande parte graças à sua capacidade de se adaptar e responder aos desafios que surgiram ao longo do tempo.
Após o conflito com o Islã, a Igreja Católica buscou manter suas raízes e valores, ao mesmo tempo em que se abriu para o mundo de forma moderada e influente. Durante a Idade Média, a Igreja também desempenhou um papel importante na Europa, oferecendo uma rede de apoio e segurança social para a população.
Com a Reforma Protestante, a Igreja Católica enfrentou a concorrência de outras denominações cristãs, mas também adotou medidas para reformar e melhorar a si mesma. O Concílio de Trento, realizado no século XVI, foi um exemplo disso, com o objetivo de definir a doutrina católica e reforçar a disciplina clerical.
No século XX, a Igreja Católica continuou a se adaptar às mudanças do mundo, em especial através do Concílio Vaticano II, realizado na década de 1960. O Concílio abriu a Igreja para uma maior participação dos leigos, enfatizou a importância do diálogo inter-religioso e incentivou a renovação litúrgica. Isso levou a Igreja a uma posição mais moderada e influente no cenário global, tornando-a capaz de se relacionar com outras religiões e de se envolver em questões sociais e políticas globais.
O Concílio de Puebla, realizado em 1979, foi outro marco importante na história da Igreja Católica, pois trouxe uma nova abordagem missionária, focando na promoção da justiça e na construção de comunidades mais justas e igualitárias. O Concílio de Puebla foi uma reunião de bispos católicos realizada na cidade de Puebla, no México, em 1979. O evento foi convocado pelo Papa Paulo VI e teve como objetivo discutir questões relacionadas à evangelização na América Latina.
O concílio foi importante porque representou uma mudança significativa na postura da Igreja Católica em relação aos pobres e marginalizados da América Latina. Antes de Puebla, a Igreja havia sido criticada por muitos por não fazer o suficiente para ajudar os pobres e por ser vista como aliada das elites governantes. Puebla marcou uma mudança nessa postura e reforçou a opção preferencial pelos pobres, que já havia sido defendida em outros documentos da Igreja, como a encíclica Populorum Progressio, de 1967.
A opção preferencial pelos pobres significa que a Igreja deve dar prioridade aos mais necessitados em suas ações pastorais e sociais. Essa opção implica em colocar os pobres no centro das preocupações da Igreja e em trabalhar para promover a justiça social e a dignidade humana. Essa postura foi um marco importante na luta pela construção de uma sociedade mais justa e solidária, especialmente em países como o Brasil, onde a desigualdade social é grande.
Além disso, o Concílio de Puebla teve efeitos duradouros na Igreja Católica e na sociedade latino-americana. A reunião gerou diversos documentos que continuam sendo referência para a Igreja e para os movimentos sociais da região. Entre esses documentos estão a "Carta aos Povos da América Latina", que ressalta a importância da solidariedade e da participação popular na construção de uma sociedade mais justa, e a "Evangelização no Presente e no Futuro da América Latina", que apresenta as diretrizes para a evangelização na região. Além disso, o concílio contribuiu para o fortalecimento das pastorais sociais da Igreja Católica na América Latina, que trabalham em prol dos direitos dos pobres e marginalizados.
The Troubles

A guerra entre católicos e protestantes na Irlanda, também conhecida como "The Troubles" (Os Problemas), foi um conflito prolongado que durou cerca de 30 anos, de 1968 a 1998, e resultou em mais de 3.500 mortes. Uma das principais causas do conflito foi a discriminação religiosa e política contra a comunidade católica por parte dos protestantes, que compunham a maioria no poder e na economia da Irlanda do Norte.
A história da divisão religiosa na Irlanda remonta ao século XVI, quando o rei inglês Henrique VIII rompeu com a Igreja Católica e fundou a Igreja Anglicana. A partir daí, a Inglaterra passou a impor sua religião aos irlandeses, que eram majoritariamente católicos. Isso gerou ressentimento e revolta entre os católicos, que se sentiam discriminados e oprimidos.
Ao longo dos séculos seguintes, as tensões entre católicos e protestantes foram se intensificando, com episódios de violência e discriminação de ambos os lados. Em 1921, a Irlanda se dividiu em duas partes: a Irlanda do Norte, que ficou sob domínio britânico e era majoritariamente protestante, e a República da Irlanda, que se tornou independente e era majoritariamente católica.
A partir daí, a violência entre os dois grupos se intensificou, com grupos paramilitares de ambos os lados cometendo atentados e assassinatos em nome da causa religiosa. A guerra civil na Irlanda do Norte durou de 1969 a 1998 e deixou mais de 3.500 mortos.
Além da ignorância religiosa, outros motivos para a guerra entre católicos e protestantes na Irlanda incluem a luta pelo poder político, a discriminação econômica e social e a identidade nacional. No entanto, é importante ressaltar que a intolerância religiosa foi um dos principais fatores que alimentou o conflito por décadas.
Atualmente, a situação na Irlanda é mais pacífica, com os grupos paramilitares tendo deposto as armas e a cooperação entre católicos e protestantes sendo incentivada. No entanto, as cicatrizes da guerra ainda são profundas e a reconciliação plena entre os dois grupos ainda é um desafio a ser superado.
Teologia da Prosperidade X Teologia da Libertação

A Teologia da Prosperidade é uma corrente teológica presente em algumas denominações evangélicas e neopentecostais que enfatiza a ideia de que Deus abençoa materialmente aqueles que creem nele e lhe ofertam financeiramente. Essa teologia defende que a pobreza é uma maldição, enquanto a riqueza é uma bênção divina, e que o sucesso financeiro é um sinal da aprovação de Deus. Assim, a oferta financeira é vista como uma forma de "negociar" com Deus para receber bênçãos materiais.
As igrejas que adotam essa teologia costumam fazer uso de estratégias para arrecadar dinheiro, como pedidos constantes de oferta em seus cultos e eventos, promessas de prosperidade para aqueles que ofertam e a venda de produtos religiosos (como água benta e lenços ungidos) que supostamente trazem bênçãos financeiras.
Por outro lado, a Teologia da Libertação é uma corrente teológica da Igreja Católica que surgiu na América Latina nas décadas de 1960 e 1970, e que propõe uma reflexão teológica a partir da realidade dos pobres e excluídos. Essa teologia defende que a Igreja deve se engajar na luta contra a pobreza, a opressão e as injustiças sociais, e que o Evangelho deve ser vivido como compromisso com a justiça e a transformação social.
A Teologia da Libertação foi influenciada por pensadores como Gustavo Gutiérrez, Leonardo Boff e Jon Sobrino, e promoveu um amplo debate dentro da Igreja Católica, especialmente durante o papado de João Paulo II. A teologia foi criticada por alguns setores da Igreja, que a acusaram de misturar religião e política e de adotar uma abordagem marxista. No entanto, ela continua sendo uma corrente importante dentro da Igreja Católica e inspira movimentos sociais e pastorais que lutam pela justiça social e pela dignidade humana.
A Teologia da Prosperidade e a Teologia da Libertação representam abordagens teológicas opostas em relação à relação entre fé e dinheiro. Enquanto a primeira enfatiza a prosperidade material como sinal de bênção divina e usa a oferta financeira como forma de negociar com Deus, a segunda defende que a fé deve estar a serviço da justiça social e da transformação da realidade dos mais pobres e excluídos.
O declínio do cristianismo nos Estados Unidos e os flagrantes erros em nome da fé cristã

Nos Estados Unidos, o cristianismo está em declínio há algumas décadas, mesmo sendo o país com maior número de protestantes e evangélicos no mundo. Após 2020 esse fenômeno social do declínio do cristianismo está se aprofundando com muita velocidade. Uma das razões para isso foi o sucesso por mais de três décadas da Teologia da Prosperidade, que enfatiza a prosperidade material como uma bênção divina e incentiva os fiéis a doarem generosamente para suas igrejas em troca de bênçãos financeiras.
Desde a virada para o século XXI que a Teologia da Prosperidade tem enfrentado críticas e declínio acelerado nos Estados Unidos por diversas razões. Com o declínio da Teologia da Prosperidade veio junto a perda de fiéis e a falência das Igrejas Evangélicas, Protestantes, Pentecostais e Neopentecostais. Uma das principais questões que merecem atenção é fato de que muitos fiéis perceberam que a promessa de prosperidade financeira não se concretizou, e que muitos líderes religiosos que pregam essa teologia enriqueceram enquanto seus seguidores permaneceram na pobreza.
A Teologia da Prosperidade tem sido criticada e enfrentada por promover uma visão individualista e materialista da fé, em que a busca por bênçãos materiais é mais importante do que a prática da caridade e da solidariedade. Isso tem levado muitos fiéis a se afastarem das igrejas que pregam essa teologia, em busca de comunidades que valorizem mais a espiritualidade e a justiça social.
Outro fator que tem contribuído para o declínio da Teologia da Prosperidade é a sua falta de resposta aos problemas sociais e políticos enfrentados pela sociedade atual. Em um mundo cada vez mais complexo e desigual, a visão simplista e individualista da fé propagada por essa teologia não consegue oferecer soluções para as questões estruturais da sociedade, como a desigualdade econômica, o racismo e a violência.
No entanto, muitos cidadãos americanos estão se tornando mais descrentes e desiludidos com o cristianismo, especialmente entre os jovens. O país se tornou o mais consumista do mundo, o que pode ter contribuído para a diminuição da prática cristã autêntica. Além disso, a aplicação radical da doutrina cristã fundamentou a segregação racial nos Estados Unidos, ajudou a criar a Ku Klux Klan e alimentou discursos de guerra, em especial na invasão de diversos países.
A teologia conservadora, que enfatiza a interpretação literal da Bíblia e a aderência a valores tradicionais, também tem contribuído para o declínio do cristianismo nos Estados Unidos. Muitos jovens têm dificuldade em conciliar essas crenças com a sua visão de mundo mais progressista e tolerante. Uma vez que nos EUA a cultura cristã local - em função do mercado consumidor - valoriza as pessoas proporcionalmente ao tamanho da conta bancária de cada uma delas.
A Teologia da Prosperidade tem sido confrontada por uma crescente onda de críticas e denúncias de corrupção envolvendo líderes religiosos que pregam essa doutrina. A exposição de escândalos financeiros e sexuais envolvendo pastores e líderes religiosos ricos e influentes tem minado a credibilidade das igrejas que pregam a Teologia da Prosperidade, levando muitos fiéis a questionarem a integridade desses líderes e a procurarem outras formas de vivenciar sua fé.
Cristianismo, ecumenismo e respeito

O Cristianismo e o Ecumenismo são conceitos diferentes e é importante esclarecer a diferença entre eles. O Cristianismo é uma religião baseada na vida e nos ensinamentos de Jesus Cristo. Sua essência permaneceu a mesma ao longo dos séculos, mas com o avanço do conhecimento e da compreensão sobre a vida de Jesus, tornou-se mais tolerante e inclusivo.
É preciso deixar claro que o Cristianismo não busca impor sua religiosidade a ninguém. Jesus Cristo nunca impôs sua mensagem a ninguém, pelo contrário, ele pregou o amor, o respeito e a tolerância. É importante destacar que em nenhum lugar da Bíblia há qualquer menção específica às religiões africanas ou aos Orixás. Portanto, associar os Orixás a demônios citados na Bíblia é uma demonstração de total ignorância teológica e histórica. Esse tipo de afirmação também exprime preconceito e intolerância, algo que vai contra os valores que Jesus pregou ao longo de sua vida. Jesus sempre pregou o amor, o respeito e a compaixão, e nunca defendeu a intolerância ou o preconceito em relação a outras religiões ou culturas. Por isso, é fundamental que a interpretação dos textos sagrados seja feita com cautela e responsabilidade, evitando generalizações e preconceitos infundados.
É importante ressaltar que o Ecumenismo é um movimento que busca promover o diálogo e a cooperação entre as diferentes religiões. Ele não procura homogeneizar as crenças religiosas, mas sim promover a tolerância e o respeito às diferenças. Isso é algo que o Cristianismo tem pregado há muitos anos.
As pessoas e instituições que atacam outras religiões em nome de Jesus Cristo claramente não o conhecem e estão agindo de forma estúpida e burra. O Cristianismo não é uma religião que prega o ódio ou a intolerância, pelo contrário, é uma religião que prega o amor, a compaixão e o respeito ao próximo.
É importante ressaltar que, ao longo da história, milhares de civilizações nativas foram dizimadas em nome da conversão religiosa. Muitas dessas populações foram rotuladas como pagãs ou infiéis, o que serviu de justificativa para a violência e a exploração. No entanto, é fundamental deixar claro que essas atrocidades nada têm a ver com o verdadeiro ensinamento do Cristianismo. Jesus Cristo sempre pregou a compaixão, o amor e o respeito ao próximo, independentemente de sua origem ou religião. As ações violentas cometidas em nome de Deus são um exemplo claro de como a religião pode ser deturpada para fins políticos ou econômicos, mas isso não significa que o Cristianismo, em si, defenda ou apoie essas práticas. É preciso lembrar que o verdadeiro ensinamento de Jesus é de que devemos amar uns aos outros como a nós mesmos, sem discriminação ou preconceito.
É importante entender que o Cristianismo não busca impor sua religiosidade a ninguém, mas sim promover o amor e a tolerância. O Ecumenismo é um movimento que vai ao encontro desses valores, buscando promover o diálogo e a cooperação entre as diferentes religiões. Atacar outras religiões em nome de Jesus Cristo é uma hipocrisia e um ato que vai contra os valores fundamentais do Cristianismo.
Ser cristão é, sobretudo, respeitar e amar o próximo, independentemente de sua religião ou crença. Jesus sempre pregou a compaixão e o amor ao próximo, independentemente de quem fosse, e isso incluía as pessoas que não compartilhavam de suas crenças. A tolerância religiosa, portanto, não deve ser apenas um discurso, mas sim uma prática cristã diária. É importante lembrar que Jesus nunca impôs suas ideias a ninguém, ele simplesmente compartilhava seus ensinamentos e deixava que as pessoas escolhessem segui-lo ou não. Se Jesus estivesse entre nós nos dias atuais, ele com certeza não imporia a ninguém que o seguisse, mas sim convidaria as pessoas a amar e respeitar uns aos outros, independentemente de suas crenças. Por isso, ser cristão significa acima de tudo praticar o amor e o respeito ao próximo, independente de qualquer diferença.
A Igreja de Cristo que caminha, transforma o mundo e é relevante.

A Igreja Católica tem uma longa história de envolvimento em iniciativas sociais e humanitárias que ajudaram a melhorar a vida das pessoas em todo o mundo. Aqui estão algumas outras ações da Igreja Católica na área social que têm ajudado a mudar o mundo:
Caritas Internationalis: É uma confederação de mais de 160 organizações humanitárias católicas que trabalham em todo o mundo para aliviar a pobreza, promover a justiça e ajudar as pessoas a se recuperarem de desastres e conflitos. A Caritas tem trabalhado em projetos que visam a segurança alimentar, direitos humanos, proteção ambiental e saúde pública.
Movimento de Educação de Base (MEB): Criado no Brasil em 1961, o MEB tem como objetivo promover a educação popular e transformadora em comunidades carentes. O movimento desenvolveu uma metodologia própria que visa capacitar as pessoas a pensarem criticamente sobre sua realidade e a agirem para mudá-la.
Campanha da Fraternidade: É uma iniciativa anual da Igreja Católica no Brasil que nasceu em Natal/RN em 1962 e que visa chamar a atenção para questões sociais e incentivar a participação dos fiéis na construção de uma sociedade mais justa e solidária. Cada ano é escolhido um tema e desenvolvido materiais para ajudar nas reflexões nas comunidades. Hoje a Campanha da Fraternidade é realizada em dezenas de países, sempre priorizando as identidades e problemas de cada nação.
As pastorais sociais são um conjunto de organizações e ações da Igreja Católica voltadas para o compromisso social e a promoção da justiça e da paz. São grupos de leigos católicos que atuam em diversas áreas da sociedade, como saúde, educação, assistência social, meio ambiente, direitos humanos, entre outras.
As pastorais sociais têm como objetivo principal a transformação social e a promoção do bem-estar dos mais vulneráveis e marginalizados da sociedade. Essa atuação é baseada nos ensinamentos da Igreja Católica, que prega o amor ao próximo, a justiça social e a solidariedade.
As ações das pastorais sociais são diversas e variam de acordo com a área de atuação de cada uma. Algumas das principais pastorais sociais da Igreja Católica são:
Pastoral da Sobriedade: Criada no Brasil em 1989, a Pastoral da Sobriedade tem como objetivo ajudar as pessoas a se libertarem do alcoolismo e de outras dependências químicas. A pastoral oferece apoio espiritual e psicológico aos dependentes e a seus familiares, além de promover a prevenção das drogas.
Pastoral da Terra: atua na defesa dos direitos dos trabalhadores rurais e na promoção da agricultura familiar sustentável.
Pastoral Carcerária: atua na promoção da dignidade humana dos presos e de suas famílias, além de trabalhar pela melhoria do sistema prisional.
Pastoral da Pessoa Idosa: atua na promoção do envelhecimento saudável e na defesa dos direitos dos idosos.
Pastoral da Juventude: atua na formação e no engajamento dos jovens na transformação social e na defesa dos seus direitos.
Além dessas, existem diversas outras pastorais sociais que atuam em áreas como saúde mental, meio ambiente, direitos humanos, combate à violência, entre outras
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As pastorais sociais são uma forma de a Igreja Católica se colocar a serviço da sociedade, promovendo a justiça social e a transformação da realidade social, em consonância com os valores cristãos.
A Igreja Católica mantém hospitais, escolas, orfanatos e outras obras sociais em todo o mundo, muitas vezes em áreas carentes e de difícil acesso. Essas instituições oferecem assistência médica, educação e assistência social para pessoas em situação de vulnerabilidade. As Casas da Misericórdia são hospitais mantidos pela Igreja Católica em todo o país, que prestam atendimento médico-hospitalar a pessoas em situação de vulnerabilidade social, especialmente as que não têm condições de pagar por serviços de saúde privados. Essas instituições são parte integrante da tradição de assistência social da Igreja Católica, que tem como base a prática da caridade e da solidariedade.
As Casas da Misericórdia, também conhecidas como hospitais filantrópicos, têm como objetivo prestar atendimento de qualidade a pessoas que não teriam condições de arcar com os custos de um atendimento médico particular. Para isso, a Igreja Católica mantém convênios com o Sistema Único de Saúde (SUS) e recebe verbas do governo para complementar o custeio das atividades hospitalares.
Além do atendimento médico-hospitalar, muitas Casas da Misericórdia também oferecem outros serviços de saúde, como consultas médicas, exames, procedimentos cirúrgicos, internações, tratamentos de reabilitação, entre outros. Algumas dessas instituições também desenvolvem ações sociais e comunitárias, como campanhas de prevenção de doenças, programas de assistência social, entre outras.
As Casas da Misericórdia são uma importante forma de atuação da Igreja Católica na área da saúde pública, contribuindo para a redução das desigualdades sociais e garantindo o acesso a serviços de saúde de qualidade para as populações mais vulneráveis.
Pastoral da Criança: como mencionado anteriormente, atua na promoção da saúde e nutrição infantil, bem como no desenvolvimento integral de crianças em situação de vulnerabilidade social.
Na ação cristã na área da primeira infância não se pode deixar de falar em Zilda Arns Neumann que foi uma médica pediatra e sanitarista brasileira, fundadora da Pastoral da Criança (descrita acima), uma organização da Igreja Católica dedicada à promoção da saúde e nutrição infantil, bem como ao desenvolvimento integral de crianças em situação de vulnerabilidade social.
A obra de Zilda Arns e da Pastoral da Criança é bastante ampla e abrangente. Desde sua criação em 1983, a organização tem se dedicado a promover a vida e a saúde das crianças, com foco especial em famílias pobres e comunidades carentes. A Pastoral da Criança trabalha em todo o Brasil e em vários países da América Latina, África e Ásia.
Entre as principais ações da Pastoral da Criança destacam-se:
Acompanhamento da saúde infantil: A organização conta com uma rede de voluntários treinados para visitar as famílias e acompanhar a saúde e nutrição das crianças. Os voluntários orientam as mães sobre cuidados básicos com a saúde e o desenvolvimento infantil, além de fazer o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento das crianças.
Capacitação de líderes comunitários: A Pastoral da Criança capacita líderes comunitários para atuar como multiplicadores de conhecimento e promotores da saúde infantil em suas comunidades. Esses líderes são treinados para identificar as principais necessidades das famílias e encaminhar os casos mais graves para serviços de saúde.
Distribuição de alimentos e suplementos: A organização distribui alimentos e suplementos nutricionais para crianças desnutridas e em risco de desnutrição. A Pastoral da Criança desenvolveu a "multimistura", um composto alimentar que ajuda a combater a desnutrição infantil, e que se tornou uma referência em programas de combate à fome em todo o mundo.
Mobilização social: A Pastoral da Criança promove campanhas de mobilização social para sensibilizar a população sobre a importância da saúde e nutrição infantil. A organização também atua em parceria com outras instituições e entidades governamentais para fortalecer as políticas públicas de saúde e nutrição infantil.
A obra de Zilda Arns e da Pastoral da Criança é um exemplo de como ações sociais podem ser desenvolvidas a partir da iniciativa da sociedade civil organizada, tendo como objetivo o bem-estar das crianças e o desenvolvimento humano integral.
Assim como a Igreja Católica, muitas igrejas evangélicas/protestantes têm desempenhado um papel importante em ações sociais e humanitárias que ajudam a melhorar a vida das pessoas em todo o mundo. Aqui estão algumas ações de igrejas evangélicas/protestantes que ajudam a mudar o mundo:
Mãos Dadas: É uma iniciativa que reúne organizações cristãs em todo o mundo para trabalhar em projetos de desenvolvimento e assistência humanitária em comunidades carentes. As ações incluem projetos de educação, saúde, nutrição, geração de renda e fortalecimento da sociedade civil.
Igrejas em Ação: É um programa que busca incentivar e apoiar ações sociais promovidas pelas igrejas evangélicas/protestantes no Brasil. Através do programa, as igrejas recebem capacitação, recursos e orientação para desenvolver projetos de cunho social e comunitário.
World Vision: É uma organização humanitária cristã que trabalha em mais de 100 países em todo o mundo para aliviar a pobreza, promover a justiça e ajudar as pessoas a se recuperarem de desastres e conflitos. A organização tem trabalhado em projetos que visam a segurança alimentar, direitos humanos, proteção ambiental e saúde pública.
Adventist Development and Relief Agency (ADRA): É uma organização humanitária adventista que atua em mais de 130 países em todo o mundo para aliviar a pobreza, promover a justiça e ajudar as pessoas a se recuperarem de desastres e conflitos. A ADRA tem trabalhado em projetos que visam a segurança alimentar, a água potável e o saneamento básico, a proteção ambiental e a saúde pública.
Igreja Batista do Povo: É uma igreja em São Paulo que criou um projeto social chamado "Mundo Novo". O projeto tem como objetivo promover a inclusão social e a cidadania de pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social através de serviços de acolhimento, assistência médica e psicológica, capacitação profissional e ações de solidariedade.
As Igrejas Cristãs são espaços de comunhão e encontro das comunidades cristãs, onde os fiéis se reúnem para cultuar a Deus, compartilhar experiências e fortalecer a fé. No entanto, é importante lembrar que o lugar dos seguidores de Jesus é nas ruas, nos lugares onde as pessoas mais precisam, onde se faz necessário a ação concreta e transformadora da Igreja de Cristo.
A Igreja de Cristo é a Igreja que caminha, que se move em direção às pessoas, que se envolve com as realidades do mundo, e que tem a capacidade de impactar na vida das pessoas. O processo de evangelização só será efetivo se for acompanhado pelo cuidado com os mais vulneráveis, como Jesus cuidou dos doentes, dos pobres e dos marginalizados.
O Cristianismo se baseia no cuidado com o outro, na preocupação em alimentar o corpo e só depois alimentar o espírito. Isso significa que a fé cristã não se limita apenas a aspectos espirituais, mas também se preocupa com as necessidades básicas das pessoas, como o acesso à saúde, à educação, à moradia, ao trabalho e à justiça.
Para ser uma Igreja verdadeiramente cristã, é necessário estar presente nas ruas, nos bairros mais carentes, nas periferias, nas prisões, nos hospitais, entre outros lugares onde as pessoas mais precisam. É preciso fazer o bem, praticar a caridade e a solidariedade, sem esperar nada em troca.
Assim como Jesus, que se colocou a serviço dos mais necessitados, os seguidores de Cristo devem se empenhar em tornar o mundo um lugar melhor, mais justo e mais humano, através da prática do amor ao próximo e da promoção da justiça social. Somente assim será possível construir uma sociedade mais fraterna, solidária e digna para todos.
O cristianismo nos dias atuais

O cristianismo nos dias atuais enfrenta diversos desafios e compromissos. Entre eles, está a necessidade de se adaptar às mudanças sociais, culturais e tecnológicas, sem perder de vista os valores e princípios que norteiam a fé cristã. Além disso, é preciso enfrentar questões como a violência, a pobreza, a desigualdade social e a crise ambiental, entre outros desafios que afetam o mundo atual.
Nesse contexto, a liderança do Papa Francisco tem sido uma importante fonte de inspiração para os cristãos. Sua postura humilde, acolhedora e comprometida com os pobres e marginalizados tem sido um exemplo para todos os fiéis. O Papa Francisco tem enfatizado a importância da misericórdia, do diálogo inter-religioso e da justiça social, e tem buscado renovar a imagem da Igreja Católica diante da sociedade.
Desde que assumiu o pontificado em 2013, o Papa Francisco vem se destacando por uma liderança renovadora e comprometida com os valores do cristianismo. Suas ações têm sido pautadas pelo amor ao próximo, pela defesa dos mais vulneráveis e pela busca da unidade entre as diferentes denominações cristãs. O Papa tem se mostrado uma voz ativa em questões complexas em todo o mundo, como a crise migratória, a luta contra a pobreza e a desigualdade, e a preservação do meio ambiente. Sua atuação tem inspirado muitos cristãos a repensar suas práticas e buscar um compromisso mais profundo com o Evangelho.
Em sua busca pela unidade entre as diferentes denominações cristãs, o Papa Francisco tem promovido o diálogo ecumênico e inter-religioso. Ele tem se encontrado com líderes de outras religiões e tem defendido a convivência pacífica entre pessoas de diferentes crenças. Além disso, o Papa tem se empenhado em superar conflitos, como a guerra da Ucrânia/Rússia, buscando o diálogo e a negociação como caminhos para a paz. Sua liderança tem sido um exemplo para os cristãos em todo o mundo, mostrando que é possível agir com amor e compaixão em meio às diferenças e conflitos.
Por outro lado, a pulverização das igrejas protestantes/evangélicas/pentecostais tem sido um fenômeno cada vez mais comum nos dias atuais. Isso se deve, em parte, à crescente diversidade cultural e religiosa da sociedade, que tem levado muitas pessoas a buscar novas formas de espiritualidade e devoção. Essa pluralidade religiosa, porém, também traz desafios para os cristãos, que precisam aprender a conviver com diferenças e a respeitar outras crenças.
Apesar da pulverização das igrejas, a Igreja Católica continua sendo a guardiã da coleção de livros que formam a Bíblia. Esse conjunto de escritos sagrados é fundamental para a compreensão da fé cristã, e sua preservação é uma das principais responsabilidades da Igreja. Além disso, a Bíblia é uma fonte de inspiração e orientação para os cristãos, que devem buscar nela a sabedoria e a força para enfrentar os desafios do mundo atual.
Os Manuscritos do Mar Morto, por sua vez, têm o potencial de ampliar a visão cristã sobre os acontecimentos do passado. Esses textos antigos, descobertos em cavernas próximas ao Mar Morto, contêm informações preciosas sobre a história do judaísmo e do cristianismo, e têm sido objeto de estudos e pesquisas por parte de especialistas em todo o mundo. Embora os Manuscritos do Mar Morto não acrescentem novos livros à Bíblia, eles podem ajudar a elucidar questões complexas sobre a história e a tradição cristã.
Ao longo da história do cristianismo, a participação e liderança das mulheres foram muitas vezes limitadas ou até mesmo rejeitadas. Contudo, desde o início do século XX, a igreja tem se esforçado para incluir mais mulheres em seus ministérios e pastorais, reconhecendo que elas são tão capazes quanto os homens de exercer um papel importante na comunidade cristã.
Um dos primeiros passos para a inclusão das mulheres foi permitir que elas participassem de atividades da igreja que antes eram reservadas exclusivamente aos homens, como a leitura de textos sagrados durante as celebrações. Com o tempo, as mulheres foram ganhando espaço em outras áreas da igreja, como o ensino da doutrina, a administração e a liderança de pastorais.
Hoje, muitas igrejas cristãs possuem pastoras e líderes femininas, que exercem um papel importante na orientação espiritual e emocional dos membros da comunidade. Além disso, algumas igrejas já permitem a ordenação de mulheres como diáconas, presbíteras e até mesmo pastoras, o que antes era impensável.
No entanto, ainda há muito a ser feito para superar os conceitos patriarcais que permeiam a sociedade e muitas vezes se refletem na igreja. A luta pela igualdade de gênero ainda é uma batalha diária, e muitas mulheres cristãs ainda sofrem com o machismo e a discriminação dentro das comunidades religiosas.
Mas é importante lembrar que Jesus de Nazaré sempre deu atenção especial às mulheres em seus ensinamentos e ações. Ele desafiou as normas sociais de sua época ao conversar com mulheres em público, curar enfermas e ter seguidoras que o acompanhavam em suas jornadas. Portanto, a inclusão e valorização das mulheres na igreja é uma continuação do legado deixado por Jesus.
É fundamental que a igreja continue avançando nessa busca por igualdade e justiça, abrindo espaço para a participação das mulheres e dando-lhes voz e poder de decisão. Somente assim o cristianismo poderá refletir verdadeiramente o amor e a inclusão que foram ensinados por Jesus.
Como cristãos conscientes, é preciso encarar o mundo moderno, as descobertas e as mudanças com uma postura crítica e reflexiva. É necessário estar aberto ao diálogo, ao aprendizado e ao aprimoramento constante da fé. Ao mesmo tempo, é preciso manter-se fiel aos valores e princípios que fundamentam a fé cristã, e buscar sempre o bem comum e a justiça social. Somente assim será possível contribuir para a construção de um mundo mais justo, solidário e fraterno para todos.
Ismênio Bezerra
Para ser cristã a Igreja precisa conhecer e praticar os ensinamentos de Jesus Cristo.
O fato é que mesmo com falsos líderes, falsos pastores, com ataques ao cristianimo em vários lugares do mundo a Igreja Cristã vai sobreviver, vai resistir e como o próprio Jesus disse em Mateus 16:18: "e as portas do inferno não prevalecerão contra ela".
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